E os Abutres a vigiar, mesmo por cima da nossa cabeça…

O gene egoísta domina-nos…

Mesmo que não queiramos, há uma força por trás do nosso consciente, que nos provoca e nos deixa seguir o caminho, por vezes mais conveniente, mesmo que achemos que é nosso querer, nosso acreditar… Faz parte da natureza humana…faz parte de qualquer um de nós!

Os que têm pernas e frescura física e coragem psicológica, partilham os seus melhores resultados. Fui top 20, ou top 50, no escalão M30, M40, M50, na posição X entre Y atletas, etc…

Os que não dão uma para a caixa ( como eu ), falam das paisagens bonitas, das amizades que fazem enquanto se arrastam pelos trilhos…

Os pirosos e vaidosos fazem questão que as fotos apanhem sempre o melhor ângulo, ou a incidência do zoom para a marca topo de gama que vestem ou calçam…

É assim a razão e a emoção das coisas da vida.

É assim também na montanha dos Homens… na montanha das Emoções… na montanha das Amizades… na montanha do Amor… na montanha dos Afectos…

Vivemos num país maravilhoso, não tenhamos dúvidas. Temos praias deslumbrantes, um Sol como mais ninguém tem em toda a Europa…e serras e montanhas mágicas.

A Serra da Estrela é única, a Serra de Sintra misteriosa, a Serra da Arga rude e dura, a Serra da Freita imensa, a Peneda-Gerês deslumbrante…

Depois existe a Lousã, com os seus Abutres a pairar no ar…

Original, pela sua humidade, pelas suas cascatas, pelos trilhos densos de raízes que espreitam. De rochas e muita lama.

Naquele fim de semana do ano, os olhos daqueles que amam a corrida de montanha, param para ver quem vai vencer, quem vai vacilar, quem vai quebrar, quem vai até ao fim.

Andre Rodrigues

Todos se queixam da dureza, todos amam a dureza! É uma espécie de contraste, tal como as fotos do Miro Cerqueira e do Matias Novo, sempre a apanhar o momento certo.

Esta Lousã leva-nos a sonhar…

No dia da prova, já à noitinha, deitamo-nos com as imagens da água a passar ao nosso lado, daquela árvore onde nos apoiámos, daquela raiz que saltámos, daquela lama onde derrapámos, daquela humidade que nos acompanhou.

Em certos estradões, os cheiros à flora local invade-nos as narinas e não nos larga. Deixa-nos numa espécie de flutuação. Acompanhamos as ondas de energia que a serra nos fornece, sem nada cobrar de volta.

As dores nas pernas, transformam-se em dores de alma, por não podermos perpetuar aquele momento, aquela imagem, aquela sensação…

A Serra da Lousã tem esse quê de especial! Todos os que por lá passam sentem isso…

trail running

Que sensação é esta, de estarmos sempre naquela zona de desconforto que nos conforta?

Que sensação é esta, de procurarmos o amor da Natureza, no desconhecido?

Que sensação é esta, de sermos invadidos pelo prazer dos cheiros, dos frios e dos ventos?

trail running

Para depois nos encontrarmos, numa qualquer meta, em casa com a família ou num abraço dum amigo que nos conforta…

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